quarta-feira, 8 de abril de 2015

2. Técnicas de redação jornalística: o que muda com o hipertexto


No jornalismo impresso a regra da pirâmide invertida, aquela que privilegia, por natureza, que as informações de maior relevância (o quê, quem, onde, como, quando e por quê) estejam no começo da notícia, sempre foi a mais respeitada e utilizada. Depois de responder estas perguntas no lead tradicional, os demais dados são dispostos de forma descrente de importância.

Contudo, no momento em que as notícias chegam quase simultaneamente em todas as redações, como fazer para tornar seu material atrativo ao leitor? A resposta está no jornalista e na forma como ele aborda a informação. A maneira como ele escreve o texto é que faz toda a diferença e torna o material interessante para o público. 

Porém, se no jornalismo impresso a técnica da pirâmide já exige adaptações e o toque diferenciado do jornalista, quando falamos no ambiente online a situação ganha outros aspectos particulares. Como não há limite de espaço para a matéria, e nem a necessidade de cortes no conteúdo, o jornalista precisa elencar quais assuntos e abordagens que julga necessários para que o leitor entenda a mensagem ali transmitida. E aí está mais um confronto: ao contrário do veículo impresso, que muitas vezes possui abrangência local e foca num determinado público, na web o jornalista escreve para uma audiência global, e que possui diferentes interesses. A proximidade, que é um dos tradicionais valores-notícia, perde o sentido neste caso, por exemplo.

Para contornar esta situação, uma técnica bastante utilizada é a interligação de conteúdos, através do que chamamos de blocos informativos. “A oferta de várias possibilidades de leitura implica o recurso a dois tipos de coerência: local e  global (Engebretsen, 2000). A coerência local refere-se à relação entre dois blocos informativos próximos, podendo ser “intratextual” (regras de sintaxe e semântica de qualquer texto) ou “intertextual” (coerência na forma como se ligam os blocos informativos lidos sequencialmente)”, segundo Canivilhas.

Os dois tipos de coerências são fundamentais pois a interpretação de um texto é a relação com alguma coisa lida anteriormente no mesmo texto e/ou no bloco anterior. Ou seja, a compreensão de um material está ligada à associação de ideias e conceitos já vistos. Porém, é preciso cuidado na hora de redigir o material, pois muitas vezes o leitor chega a um bloco pelo motor de busca de um site. Desta forma, cada um deles deve ser tangível, de forma autônoma, sem a necessidade de leitura anterior ou posterior a ele.

Este processo pode ser resolvido com o auxílio da coerência intratextual ou então com a ajuda de hipertextos, que possibilitem de maneira rápida que o leitor recupere informações essenciais que o auxiliem a decodificar o bloco informativo.

A coerência global é o segundo tópico fundamental para que o leitor consiga entender a notícia. Este conceito está baseado na forma como os blocos informativos e hipertextos estão dispostos para que não confunda, e sim auxilie o leitor na compreensão das informações essenciais do material.

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