A técnica da Pirâmide Invertida foi defendida por diversos autores, mas
a forma de escrever notícias para a web gera polêmica. Em geral, discute-se a
criação de novas técnicas e linguagens próprias para o ambiente online.
De acordo com Lowrey & Choi, “pode-se dizer que as notícias na web
devem obedecer a arquiteturas abertas e interativas, permitindo uma resposta
mais eficaz a duas tipologias de leitores: 1) os que procuram uma informação
específica, e por isso estão disponíveis para explorar itinerários pessoais de
leitura; 2) os que simplesmente navegam numa notícia e precisam ser guiados
pelas qualidades estruturais do formato”.
A primeira autora a sugerir um modelo não linear de texto foi Carole
Rich. Para ela a arquitetura da informação deve se adequar aos diferentes tipos
de notícias, mas sempre partindo de um elemento principal, que é capaz de
informar o leitor sobre o tema da notícia. A partir daí, a oferta de blocos
interativos pode ser feita de maneira linear ou o próprio texto conduzir as
informações entre eles. Isto é, contextualizar o leitor e propor um “conjunto
de opções informativas mais vasto do que o oferecido pelos restantes meios de
comunicação”, como a própria autora afirma.
Já o autor Mario Garcia propõe uma ideia diferente: o texto é dividido
em blocos de até 21 linhas (capacidade média de um ecrã), organizadas a partir da
técnica da Pirâmide Invertida, oriunda do jornalismo impresso. Assim como na
imprensa escrita, não há hiperligações na proposta do autor, mas cada bloco
deve ter informações que levem o leitor a ler o bloco seguinte.
Com mais complexidade, o autor Ramón Salaverría opta por textos com
blocos ligados por hiperligações, podendo a estrutura tomar diferentes formas de
acordo com a própria notícia. Segundo ele, “nas estruturas unilineares existe
uma ligação única entre os sucessivos blocos informativos, não tendo o leitor
uma opção que não seja seguir a hiperligação existente. Por seu lado, as
estruturas multilineares admitem mais do que uma ligação entre blocos, subdividindo-os
em duas tipologias: nas arbóreas, cada bloco está ligado a vários blocos subsequentes,
oferecendo várias opções de leitura; nas paralelas, um bloco dá origem a várias
estruturas lineares, havendo por isso um primeiro momento de escolha para seguidamente
existir apenas um itinerário de leitura. Por fim, as estruturas reticulares são
aquelas em que existem múltiplas ligações entre blocos informativos, havendo
liberdade total de navegação”.
Canavilhas pensa uma arquitetura que enquadra-se na estrutura
multilinear arbórea, porém com especificidades. As notícias que obedecem à
técnica da Pirâmide Deitada organizam-se por níveis de informação ligados por
hiperligações internas/embutidas que dão total liberdade ao leitor de percorrer
diferentes percursos de leitura conforme seu interesse. A investigação que chegou
até este modelo entendeu que, ao terem acesso a diversas opções de leitura
através de hiperligações, os leitores optaram por pular de bloco em bloco até o
limite da informação possível sobre o assunto.
A percepção de texto hierarquizado, como é feito no jornalismo impresso,
não funciona na web, pois os leitores procuram todos os aspectos do assunto que
está sendo abordado levando em consideração o que lhes interessa. O mais
importante então é oferecer a notícia com todos os contextos necessários.
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