quarta-feira, 8 de abril de 2015

3. Arquitetura da notícia na Web: propostas (Parte 1)



A técnica da Pirâmide Invertida foi defendida por diversos autores, mas a forma de escrever notícias para a web gera polêmica. Em geral, discute-se a criação de novas técnicas e linguagens próprias para o ambiente online.
De acordo com Lowrey & Choi, “pode-se dizer que as notícias na web devem obedecer a arquiteturas abertas e interativas, permitindo uma resposta mais eficaz a duas tipologias de leitores: 1) os que procuram uma informação específica, e por isso estão disponíveis para explorar itinerários pessoais de leitura; 2) os que simplesmente navegam numa notícia e precisam ser guiados pelas qualidades estruturais do formato”.
A primeira autora a sugerir um modelo não linear de texto foi Carole Rich. Para ela a arquitetura da informação deve se adequar aos diferentes tipos de notícias, mas sempre partindo de um elemento principal, que é capaz de informar o leitor sobre o tema da notícia. A partir daí, a oferta de blocos interativos pode ser feita de maneira linear ou o próprio texto conduzir as informações entre eles. Isto é, contextualizar o leitor e propor um “conjunto de opções informativas mais vasto do que o oferecido pelos restantes meios de comunicação”, como a própria autora afirma.
Já o autor Mario Garcia propõe uma ideia diferente: o texto é dividido em blocos de até 21 linhas (capacidade média de um ecrã), organizadas a partir da técnica da Pirâmide Invertida, oriunda do jornalismo impresso. Assim como na imprensa escrita, não há hiperligações na proposta do autor, mas cada bloco deve ter informações que levem o leitor a ler o bloco seguinte.
Com mais complexidade, o autor Ramón Salaverría opta por textos com blocos ligados por hiperligações, podendo a estrutura tomar diferentes formas de acordo com a própria notícia. Segundo ele, “nas estruturas unilineares existe uma ligação única entre os sucessivos blocos informativos, não tendo o leitor uma opção que não seja seguir a hiperligação existente. Por seu lado, as estruturas multilineares admitem mais do que uma ligação entre blocos, subdividindo-os em duas tipologias: nas arbóreas, cada bloco está ligado a vários blocos subsequentes, oferecendo várias opções de leitura; nas paralelas, um bloco dá origem a várias estruturas lineares, havendo por isso um primeiro momento de escolha para seguidamente existir apenas um itinerário de leitura. Por fim, as estruturas reticulares são aquelas em que existem múltiplas ligações entre blocos informativos, havendo liberdade total de navegação”.
Canavilhas pensa uma arquitetura que enquadra-se na estrutura multilinear arbórea, porém com especificidades. As notícias que obedecem à técnica da Pirâmide Deitada organizam-se por níveis de informação ligados por hiperligações internas/embutidas que dão total liberdade ao leitor de percorrer diferentes percursos de leitura conforme seu interesse. A investigação que chegou até este modelo entendeu que, ao terem acesso a diversas opções de leitura através de hiperligações, os leitores optaram por pular de bloco em bloco até o limite da informação possível sobre o assunto.
A percepção de texto hierarquizado, como é feito no jornalismo impresso, não funciona na web, pois os leitores procuram todos os aspectos do assunto que está sendo abordado levando em consideração o que lhes interessa. O mais importante então é oferecer a notícia com todos os contextos necessários.

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